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Dillma vence sobre um país dividido

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Por pouco, muito pouco, Dilma Rousseff reelegeu-se presidente da República. O país ficou nitidamente dividido. No Brasil de economia avançada, capitalista, industrializada, venceu Aécio Neves, do PSDB. Aécio venceu no sudeste, no sul, no centro-oeste.
Dilma garantiu-se no cargo nos bolsões do nordeste e norte onde a politica assistencialista pesa a seu favor. O cesto de bondades que inclui Bolsa Família, Pronatec, Minha Casa, Minha Vida, certamente elegeu Dilma Rousseff nos fundões e nos grotões.
Mas o Brasil sai diferente dessa eleição. Mesmo com a derrota, Aécio conquistou 64,29% dos votos em São Paulo, contra 35,71% de Dilma. O PSDB governa o Estado há 20 anos. Seria o diferencial, caso ele não tivesse perdido em Minas Gerais. Aécio foi governador de Minas duas vezes, mas foi superado por Dilma nesta eleição presidencial. Lá, a petista teve 52,40% dos votos, contra 47,60% de Aécio.
Ainda no Sudeste, Dilma venceu no Rio de Janeiro por 54,94% a 45,06% dos votos. No Espírito Santo, Aécio saiu vitorioso com 53,85%, contra 46,15% da eleita.No Nordeste, Dilma superou o candidato tucano. Ela venceu nos nove estados da região: Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe.
A presidente Dilma Rousseff, que disputou pelo PT as eleições deste ano, terá mais quatro anos de mandato como presidente do país. Após 111 dia de campanha e uma disputa acirrada com Aécio Neves (PSDB) em segundo turno marcado por ataques e acusações, Dilma obteve vitória apertada sobre Aécio: 51,45% contra 48,55%. Com a população e o Congresso divididos, um dos desafios da presidente será, em seu governo, conseguir unir o Brasil.
O resultado marca a eleição mais acirrada da história da redemocratização do Brasil.Os ex-presidentes Fernando Collor, Fernando Henrique Cardoso, Lula e a própria Dilma não ganharam de seus adversários por uma diferença tão pequena em pleitos anteriores. Antes de 2014, a menor diferença havia sido registrada em 1989, na disputa entre Collor e Lula. Na ocasião, Collor venceu com 42,75% dos votos, contra 37,86% obtidos pelo então canidato do PT.
TEMPO REAL: as reações ao resultado pelo país
O horário de verão atrasou a divulgação do resultado da eleição presidencial, que só ocorreu depois das 20h por causa da votação no Acre, que só acabou às 17h do horário local. Já nos estados onde houve segundo turno (Acre, Amazonas, Amapá, Rondônia, Roraima, Pará, Mato Grosso do Sul, Goiás, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e o Distrito Federal), a apuração começou logo após o término da votação, às 17h, pelo horário local.
ATAQUES MARCARAM SEGUNDO TURNO
Após ataques durante o horário eleitoral no rádio e na TV e a troca de acusações em debate do SBT, com denúncias de nepotismo entre Dilma e Aécio, o TSE proibiu a veiculação de gravações que não fossem propositivas.
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— O tribunal muda sua jurisprudência para estabelecer que, em programas eleitorais gratuitos, as propagandas devem ser programáticas e propositivas, mesmo com embates duros, em relação às candidaturas do segundo turno — disse o presidente da Corte, Dias Toffoli, no dia 16 de outubro.
Embora o TSE tenha levantado a questão e adiantado julgamentos para não prejudicar a igualdade de condições entre as candidaturas, o clima eleitoral não arrefeceu. Nas ruas, foram registrados tumultos entre partidários de ambas as campanhas. Nas redes sociais, a baixaria também teve vez. O Fla x Flu eleitoral abalou amizades, e gerou discussões com troca de ofensas.
DISPUTA ACIRRADA
A disputa mais acirrada desde 1989 teve a primeira reviravolta no dia 13 de agosto, quando o jato que partiu do Rio de Janeiro e levava o então candidato do PSB, Eduardo Campos, caiu em Santos após arremeter ao tentar pousar no aeroporto. (Confira todas as pesquisas Ibope e Datafolha)
Após a morte do então candidato e a comoção causada pela tragédia, Marina Silva assumiu a cabeça de chapa e passou a liderar as pesquisas de intenção de voto. Desidratada após campanha de desconstrução do PT e recuos em relação ao programa de governo, Marina entrou em queda livre.
No primeiro turno, a decisão dos brasileiros contrariou as pesquisas eleitorais das semanas anteriores ao dia 5 de outubro, que indicavam uma disputa entre a candidata do PSB e Dilma Rousseff. No início do segundo turno, Aécio aparecia numericamente à frente nos levantamentos de Ibope e Datafolha. Dilma, no entanto, recuperou a dianteira e descolou-se do candidato do PSDB.
No primeiro turno, excluindo os votos brancos e nulos, a candidata petista teve 41,6% da preferência (43,2 milhões de votos), contra 33,6% do tucano (34,8 milhões de votos). A votação surpreendeu, já que a candidata do PSB, Marina Silva, que aparecia empatada tecnicamente com Aécio, ficou em terceiro lugar, com 21,3% da preferência (22,1 milhões de votos).
CANDIDATOS VOTARAM EM MG E RS
Pela manhã, Aécio Neves votou em escola de Belo Horizonte ao lado da mulher, Letícia Weber, às 10h30m. O tucano conseguiu amplo arco de alianças para enfrentar Dilma no segundo turno e comparou a união de candidatos derrotados no primeiro turno com a frente liderada por seu avô, Tancredo Neves, durante a redemocratização do país. Além dos nanicos, como Pastor Everaldo (PSC), Eduardo Jorge (PV) e Levy Fidelix (PRTB), também ganhou o apoio de Marina Silva (PSB).
Já a presidente Dilma Rousseff manteve o apoio de nove partidos da coligação feita antes do primeiro turno e votou na manhã deste domingo em Porto Alegre, acompanhada do governador Tarso Genro, candidato à reeleição ao governo do Rio Grande do Sul. Antes, Dilma fez um pronunciamento rápido, que durou pouco mais de três minutos, e reconheceu que a campanha que se encerrou às 22h de sábado teve “momentos lamentáveis”.
VOTAÇÃO TAMBÉM EM 88 PAÍSES
Ao todo, 354.184 eleitores brasileiros residentes no exterior também votaram para escolher o novo presidente neste domingo. Há eleitores domiciliados em 135 cidades de 88 países. Os Estados Unidos são o país com o maior número de eleitores (112,2 mil), seguido por Japão (30,6 mil), Portugal (30,4 mil), Itália (20,9 mil) e Alemanha (17,5 mil). Neste ano, foram utilizadas 916 urnas no exterior.

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