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Evento na Câmara de Foz defende luta pela igualdade de direitos, respeito e oportunidades para mulheres

 Ato integra as atividades dos 21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher

Evento na Câmara defende luta pela igualdade de direitos, respeito e oportunidades para mulheres

Integrando os 21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher, a Bancada da Mulher, formada por Yasmin Hachem (MDB), Anice Gazzaoui (PL) e Protetora Carol Dedonatti (PP), realizou um evento nesta quinta-feira, 25 de novembro, na Câmara Municipal. Amar AlRai fez uma palestra, intitulada: “Mulheres Muçulmanas”.

“Não é fácil ser mulher. Mulher muçulmana então. Em algum momento vão te falar: volta para teu país, aqui você não é bem-vinda. É fazer uma viagem e ser escolhida para revista; é fazer entrevista de emprego e ouvir que não tenho perfil da empresa. Cansei de ver mulheres com currículos invejáveis que não conseguiram. Como uma das maiores comunidades muçulmanas do Brasil não ter muçulmanas no mercado de trabalho, a resposta é uma: preconceito. Não nos dão oportunidades. Esse espaço e esse momento significam muito. Ainda temos um longo caminho pela frente, são dias de muita luta ainda”, afirmou Amar.

Durante a fala de Amar foi apresentado um vídeo com relatos de mulheres muçulmanas sobre a necessidade de respeito, equidade. A vereadora Anice explanou: “Sou a primeira vereadora mulher muçulmana em Foz, no Paraná, no Brasil e na América Latina. Nós, mulheres, independente da religião, temos que respeitar a todas. Conseguimos que na foto da carteira de identidade e na CNH as mulheres pudessem continuar com o véu no Paraná. Como o Alcorão diz: o hijab não é acessório, é vestimenta. Nosso respeito à OAB, que trouxe a temática para debatermos juntos. A luta no direito às mulheres está muito longe. Hoje os muçulmanos são 25% da população mundial. Mais do que trabalho de capacitação queremos que a mulher muçulmana seja respeitada”.

Adriana Vasconcelos, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Subseção de Foz, pontuou: “No Brasil o calendário foi modificado para 21 dias, inserindo o Dia da Consciência Negra. Neste dia tão simbólico de combate à violência trago alguns dados que nos assustam. Ainda temos muito a evoluir em conscientização social e políticas públicas eficazes. Percebo que ainda há muito para lutar. Nós mulheres recebemos salários menores, somos vítimas de estereótipos de beleza”.

Bruna Ravena, presidente da ONG Casa de Malhu disse: “Muito me emociona ouvir os relatos que a Amar trouxe, porque muitas mulheres trans estão buscando ser incluídas também. Precisamos avançar muito nessa luta. Sinto que meu trabalho, de erradicar a prostituição das pessoas trans no município, está surtindo efeito. Ontem recebi oito currículos. As mesmas dores que Amar sentiu e sente são as que as mulheres trans, negras, todas sentem”. Marli Maraschin, do Sinprefi, expôs que “nós viemos aqui para fazer a diferença. Podemos fazê-la em casa, no trabalho ou onde você estiver”.

Kellyn Trento, secretária municipal de Direitos Humanos e Relações com a Comunidade, comentou: “Essa igualdade escrita e garantida na Constituição sabemos que é formal. Sabemos o quanto é difícil na prática, ocuparmos um cargo, os espaços. Que sabemos a importância de ocuparmos nossos espaços. Sabemos que importunação sexual só virou crime por um projeto de uma deputada”.

Iraci Pereira, representando a Patrulha Maria da Penha, vinculada à Guarda Municipal (GM) revelou que “a patrulha acompanha mulheres que têm medidas protetivas. Na maioria das vezes os agressores são homens, companheiros ou ex-companheiros. O trabalho da patrulha é fazer com que a medida seja efetivada. Neste ano, até outubro, fizemos mais de 11 visitas e somente 17 prisões foram cumpridas. O que as mulheres precisam é que a lei seja colocada em prática. Na maioria das vezes os homens não respeitam as vítimas. A falta de informação e confiança mantêm as mulheres presas ao relacionamento”.

Amanda Gonzalez, representante do Conselho da Mulher, ressaltou a importância da participação das mulheres no órgão, na busca por políticas pública que vão ao encontro de igualdade de direitos. “Precisamos unir forças pelas mulheres e o fortalecimento do conselho é também da democracia”. Daniele Araújo, representando as Promotoras Legais, também se manifestou: “Faço parte do grupo das promotoras, que são mulheres comprometidas a ajudar outras em situação de violência. Muitos dos números que só tem piorado é resultado do autoritarismo que estamos vivendo”.

Kiara Heck, coordenadora do Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM), discorreu representando o secretário municipal de Assistência Social, Elias Oliveira. “Quando Amar traz discurso repleto de angústia é porque de fato precisamos de mudança. Quero que as pessoas reflitam por qual motivo precisamos adotar o feminismo. Ele não é violência, está muito distante disso”.

A vereadora Yasmin ponderou: “Eu tenho orgulho de ser a vereadora mais nova eleita de Foz. Nessa campanha é preciso enfatizar a importância das mulheres ocupando espaços públicos. Mais do que ocupar, temos de construir nossos espaços na sociedade. Precisamos estar inseridas no debate da elaboração da política pública. Todos os dias são de luta. E por todas as mulheres que deram seu sangue, temos de ser incansáveis na luta dos direitos das mulheres, de encerrar um relacionamento e não morrer por isso, de andar na rua sem medo. Vamos juntas construir um mundo generoso, respeitoso e com igualdade de direitos”.

Por Diretoria de Comunicação CMFI


 

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