Desde o mês passado, alunos do 1º ano da Escola Municipal Cândido Portinari vem realizando uma importante missão: fazer com que o amigo ucraniano Nazar Holod sinta-se a vontade nas salas de aula. A interação, a troca de experiências e o acolhimento entre os estudantes podem ser vistos em uma brincadeira no parque, durante uma visita à biblioteca, na hora da merenda ou entre os corredores da escola. 

Nazar, de seis anos, é o primeiro aluno ucraniano da escola e da Rede Municipal de Ensino de Foz do Iguaçu, que desde 2017 possui um Programa de Acolhimento ao Aluno Migrante/ Refugiado. Hoje, são 402 estudantes de 19 países matriculados em 47 das 50 escolas da rede pública. 

“Ter o Nazar na nossa escola está sendo um grande aprendizado, tanto para os professores e equipes pedagógicas quanto para os coleguinhas, que receberam ele com muito amor e tem compartilhado experiências”, contou a diretora da escola Maria Selma Bispo. A unidade de ensino também tem dois estudantes espanhóis e já recebeu alunos de outros países, como Afeganistão, Haiti e Venezuela.

“Para nós, o amor é a melhor linguagem”, descreveu a coordenadora pedagógica Maira Beatriz Rial, que acompanha o aluno ucraniano em algumas atividades. “Ele já aprendeu muitas palavras em português e os coleguinhas também ajudam nesse processo. Notamos também uma preferência por alimentos com caldos, como feijão e lentilha. Ele não gostou muito da farofa, por exemplo”, contou a educadora. 

Nazar chegou ao Brasil no ano passado com a mãe Yuliya Felenchack e a irmã Andriana, que estuda na rede estadual. A família vivia em Lviv, no oeste da Ucrânia, uma das cidades bombardeadas pela Rússia. 

O pai de Nazar, Andrii Holod, chegou recentemente à Foz do Iguaçu, o que também contribuiu com o desenvolvimento da criança na escola. “A saudade do pai mexia muito com ele, e percebemos uma melhora significativa na adaptação depois da chegada do pai. Ele está mais receptível e animado”, contou a diretora Selma.

Programa de Acolhimento

Promover o acolhimento e proporcionar o bem estar dos alunos são deveres das escolas, que também utilizam outras ferramentas para a comunicação e o aprendizado dos estudantes. “Fazer com que a criança se sinta bem, independente do idioma e buscar alternativas para que ela sinta-se confortável naquele ambiente é a principal orientação do programa. Além disso, os professores podem utilizar o tablet para a tradução simultânea, algo que tem nos ajudado bastante”, explicou o Coordenador de Acolhimento ao Estudante Migrante, Fabiano de Augustinho.

A Secretaria da Educação também busca parcerias que auxiliam na tradução, como alunos voluntários da UNILA, a comunidade árabe ou os próprios familiares da criança que falam o português. “Temos professores que falam inglês, espanhol e outros idiomas, mas também conseguimos voluntários para auxiliar, promovendo o acolhimento da melhor forma possível”, ressaltou o coordenador. 

Números

Na Rede Municipal de Ensino, o maior número é de alunos paraguaios (203), venezuelanos (193) e argentinos (22), mas o sistema também acolhe crianças de Cuba, Bolívia, Equador, Haiti, Colômbia, Peru, México, Chile, Síria, Líbano, Bangladesh, Costa do Marfim, Guiana Francesa, Portugal, Angola e Espanha. 

A legislação brasileira determina que migrantes/refugiados têm direito ao acesso à educação da mesma forma que as crianças e os adolescentes brasileiros, conforme expresso pela Constituição Federal, pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e pela Lei da Migração. Além disso, a Lei dos Refugiados garante que a falta de documentos não pode impedir o acesso à escola.

As famílias migrantes podem buscar diretamente a escola mais próxima para efetivar a matrícula ou procurar a Secretaria Municipal da Educação, no Complexo Bordin.

Portal da Cidade de Foz