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Ancelotti corta Neymar e empurra Copa para novo teste de fogo


 

O técnico Carlo Ancelotti deixou Neymar fora da convocação da Seleção Brasileira nesta segunda-feira (16) e abriu mais um round sobre a reta final da Copa do Mundo de 2026. A justificativa foi direta: o treinador disse que precisa de jogadores “100%” fisicamente agora, embora tenha mantido a porta entreaberta para o camisa 10 na lista final do Mundial.

A decisão transforma a convocação da noite em muito mais que uma lista para amistosos. Ela vira um recado político e técnico dentro da Seleção: nome, passado e marketing já não bastam. Para estar com Ancelotti, o jogador precisa chegar inteiro, competitivo e com sequência. Foi exatamente esse critério que tirou Neymar da chamada para os jogos contra França, em 26 de março, em Boston, e Croácia, em 31 de março, em Orlando, os últimos compromissos antes da definição do grupo para a Copa.

Ancelotti resumiu o raciocínio sem rodeios. Disse que Neymar pode, sim, estar na Copa, mas condicionou isso a uma recuperação plena. Em outras palavras, o técnico não fechou a porta, porém também não aceitou convocar por deferência ou expectativa. A mensagem é clara: a vaga do craque deixou de ser automática.

Esse é o ponto que aquece o debate. Neymar segue central na imaginação do torcedor, no marketing da Seleção e no repertório de decisões grandes, mas chega ao momento decisivo do ciclo ainda cercado por dúvidas físicas. Fora agora, ele ganha algumas semanas para tentar mostrar que ainda consegue virar solução, não nostalgia.

Ao mesmo tempo, Ancelotti usou a convocação para mexer no elenco e ampliar o campo de observação. Chamou pela primeira vez Léo Pereira, Gabriel Sara, Rayan e Igor Thiago, recolocou Endrick no grupo e reforçou a ideia de que ainda há disputa aberta em setores do time. Segundo o treinador, boa parte da base do Mundial já é conhecida, mas nem todos os lugares estão carimbados.

A lista dos 26 mostra justamente esse equilíbrio entre espinha dorsal e teste final. Estão nela nomes como Alisson, Marquinhos, Casemiro, Raphinha e Vinicius Jr., mas também apostas que funcionam como último vestibular antes da Copa. No meio e no ataque, a comissão técnica tenta medir intensidade, encaixe e repertório diante de dois rivais pesados. França e Croácia não aparecem por acaso no calendário. A CBF montou a Data Fifa para submeter o Brasil a jogos de nível alto, com cara de Mundial.

O corte de Neymar, portanto, vale por duas notícias ao mesmo tempo. A primeira é objetiva: ele não está entre os convocados de março. A segunda é mais importante: o técnico italiano avisou que o critério da Copa será físico, competitivo e imediato. Quem estiver inteiro joga. Quem estiver pela metade assiste.

No ambiente da Seleção, isso pode até aliviar a dependência de uma figura só. No debate público, porém, a ausência do camisa 10 reabre a velha pergunta que acompanha o Brasil há meses: ainda dá para montar um time com Neymar no centro ou o ciclo já empurrou a equipe para outro desenho? Os amistosos de março não fecham essa discussão. Mas deixam evidente que Ancelotti quer chegar à Copa com menos reverência e mais pragmatismo.

A convocação completa teve os goleiros Alisson, Bento e Ederson; os defensores Alex Sandro, Bremer, Danilo, Douglas Santos, Gabriel Magalhães, Ibañez, Léo Pereira, Marquinhos e Wesley; os meio-campistas Andrey Santos, Casemiro, Danilo, Fabinho e Gabriel Sara; e os atacantes Endrick, Gabriel Martinelli, Igor Thiago, João Pedro, Luiz Henrique, Matheus Cunha, Raphinha, Rayan e Vinicius Jr. A apresentação do grupo está marcada para 23 de março, com base em Orlando antes da viagem para o amistoso em Boston.

O que parecia apenas uma convocação virou prova de força. Neymar continua no enredo da Copa, mas já não comanda o roteiro. Agora, quem dita o tom é o cronômetro do corpo. Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.

AO VIVO: CONVOCAÇÃO DA SELEÇÃO BRASILEIRA MASCULINA PRINCIPAL - 16/03/26

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