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Airbnb entra nos hotéis sob cerco ao aluguel por temporada


 

O Airbnb entrou em 2026 mexendo no coração do próprio negócio: a empresa começou a incluir hotéis boutique e independentes na plataforma em cidades como Nova York, Los Angeles, Madri e San Francisco, enquanto o aluguel por temporada segue pressionado por regulações e por decisões judiciais em condomínios residenciais.

A virada não acontece por falta de escala. No quarto trimestre de 2025, a companhia registrou 121,9 milhões de noites e assentos reservados, com US$ 20,4 bilhões em volume bruto de reservas. No acumulado do ano, foram 533 milhões de reservas e US$ 91,3 bilhões em transações, com previsão de crescimento de receita em pelo menos dois dígitos em 2026.

O que mudou foi o tipo de viagem que a empresa quer capturar. Em carta aos acionistas e na teleconferência de resultados, o Airbnb afirmou que hotel pode ser a melhor opção em viagens de uma noite, de negócios ou de última hora, e disse que pretende encerrar 2026 com os hotéis pesando mais dentro da operação.

O Brasil aparece nesse mapa. A própria empresa citou o país entre os mercados com desempenho forte no fim de 2025. No Rio de Janeiro, dados divulgados pela plataforma na segunda-feira (20) mostram que 55% dos anfitriões são mulheres, quase 30% são aposentados e mais de 70% dizem que hospedar não é atividade principal, em meio à alta procura puxada pelo show de Shakira em Copacabana, marcado para 2 de maio.

Só que o Airbnb deixou de ser apenas uma vitrine de renda extra e virou foco de conflito urbano. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) já firmou entendimento de que condomínio residencial pode limitar ou até impedir a locação de curta temporada. Em português claro: se a convenção do prédio fixa uso estritamente residencial, o morador não tem carta branca para transformar a unidade em hospedagem rotativa.

Esse é o tamanho da encruzilhada. De um lado, a empresa vende a ideia de renda complementar, distribuição de turistas pelos bairros e reforço da capacidade de hospedagem em grandes eventos. De outro, cresce a pressão por regra, fiscalização e limite à mistura entre moradia permanente e exploração comercial de curta duração. Em mercados onde o cerco aumentou, como cidades espanholas, a plataforma já sentiu o golpe na oferta e precisou recalibrar a estratégia.

No fim das contas, o Airbnb está cada vez menos “alternativo” e mais parecido com as gigantes tradicionais do turismo. Quando a empresa passa a vender hotel para sustentar crescimento, o recado é objetivo: o velho discurso da economia compartilhada já não segura sozinho nem o mercado nem a briga política, urbana e judicial que esse mercado produz.

Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.

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