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PSD dá sinais de racha e vai ficar pequeno para Guto, Curi e Greca

 Ratinho Junior terá de voltar das férias nos Estados Unidos com uma solução para um problema iminente dentro do partido

Ratinho Junior terá de voltar das férias nos Estados Unidos com uma solução para um problema iminente. O racha dentro do PSD, que ele tanto tentou evitar, dá sinais claros e já quase públicos. O maior partido do Paraná pode ficar pequeno, em pleno ano eleitoral, para abrigar tantos com pensamentos e interesses eleitorais distintos.

Acomodar os três principais pré-candidatos, Alexandre Curi, Guto Silva e Rafael Greca, nos cargos em jogo em outubro já parece missão impossível. E a ruptura parece ser uma questão de tempo. Notícia péssima para os planos presidenciais de Ratinho, que ainda tenta tirar um coelho da cartola para manter a unidade.

A tríade forte do PSD quer o mesmo espaço: a cabeça da chapa que vai disputar o Palácio Iguaçu. E eles dão manifestações públicas que não pretendem recuar. Não vão largar este osso. Nem que para isso assinem a ficha de filiação de outra legenda.

Comenta-se já que o destino de Alexandre Curi pode ser o Republicanos, onde tem tapete vermelho e portas escancaradas, e o de Greca o Podemos ou o PP de Ricardo Barros — a depender da resolução da guerra autofágica dentro da Federeção União Progressista.

Uma recente reunião do diretório do PSD do Paraná escancarou esta cisão, quando dois secretários de Estado divergiram frontalmente sobre quem deveria ser o indicado por Ratinho. Um defendia o nome de Guto e outro dizia que parte do Iguaçu está com Alexandre. “Este racha é uma realidade dentro do governo e será muito em breve exposto publicamente”, disse um palaciano ouvido pelo Blog Politicamente.

Uma entrevista concedida nesta quarta-feira (11) pelo secretário de Agricultura, Márcio Nunes, não caiu nada bem no Centro Cívico — em especial na Assembleia Legislativa e no Palácio Iguaçu. Alguns consideraram a declaração desrespeitosa.

Numa entrevista concedida na rádio Massa, de Cascavel, no Show Rural, Márcio Nunes, que sonha com a presidência da Assembleia, disse que se Alexandre Curi romper com o governo para ser candidato, ele estaria contrariando tudo que vem falando até agora. “Seria igual um piá pançudo que não foi escolhido, pegou a bola e saiu de campo”.

A declaração desagradou parte dos palacianos, deputados estaduais e até Rafael Greca, que está cada vez mais próximo de Curi. “Uma fala desnecessária que mais desagrega do que une o grupo”, disse um palaciano.

O exemplo de Requião em 2004

Um experiente analista político compara o cenário de 2026 com o da eleição de Curitiba em 2004. Na época, o governador era Roberto Requião (MDB) e todos apostavam que Gustavo Fruet, também do MDB, seria o candidato do grupo político para enfrentar o então vice-prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB).

Requião, no entanto, preferiu apostar em Ângelo Vanhoni (PT). Fruet, que tinha o apoio de grande parte do governo Requião, apoiou Richa e o fim da história já é conhecido. O tucano se elegeu prefeito da capital e, em 2006, Requião passou um verdadeiro apuro para se reeleger — com uma vantagem de “míseros” 10.500 votos sob Osmar Dias que teve o apoio de Beto Richa.

O Beto Richa de 2004 é o Sergio Moro de 2026. O senador assiste de camarote à guerra interna do PSD, mas não está parado e espera colher frutos desta cisão do partido de Ratinho.

Articulações de Moro

O ex-juiz da Lava Jato mudou a sua interlocução política — feita até então pelo advogado e 1º suplente, Luiz Felipe Cunha. Quem conduz as costuras políticas agora é o 1º suplente, o empresário Ricardo Guerra — irmão do deputado Luiz Fernando Guerra.

Há relatos de conversas de coxia do suplente de Moro tanto com Curi quanto com Greca e da formatação de uma “chapa dos sonhos”: Moro candidato ao governo, Greca vice e para as duas vagas ao Senado Alexandre Curi e Cristina Graeml.

É apenas um dos muitos cenários aventados. Há quem desenhe uma chapa Alexandre Curi governador e Greca vice — para alguns imbatível já que junta a força do interior com os votos de Curitiba. Será que Ratinho Junior topa ter dois candidatos ao governo para chamar de seu?

A máxima de que em política até vaca voa exemplifica bem este momento pré-Carnaval da tríade do PSD. Tudo pode acontecer. Guto Silva, por sua vez, parece, pelo menos parece, o mais tranquilo dos três. Pessoas próximas do secretário das Cidades dá como certa a indicação dele ao governo pelo PSD. Outros, menos otimistas, questionam a demora na decisão de Ratinho.

A sensação que passa é que o governador Ratinho já tem a decisão tomada. Falta só combinar com os “russos” e evitar a abertura de uma enorme fenda dentro do PSD que pode, inclusive, atrapalhar a estratégia presidencial.

A reunião sigilosa

Palacianos com trânsito livre no 3º andar contam de uma longa reunião entre Ratinho e Alexandre Curi na última sexta-feira — sem testemunhas — no gabinete do governador. Ninguém comenta o teor sobre o encontro que durou cerca de duas horas. Mas uma fonte do Blog Politicamente conta que não houve qualquer definição.

Tudo vai ficar para depois do Carnaval quando dizem que de fato “o ano no Brasil começa”.

Do BP

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