Ad Code

 


Câmara entrega a Toni Reis o título de Cidadão Honorário de Curitiba

 Sessão solene reconheceu a trajetória do educador e ativista Toni Reis em defesa dos direitos humanos, da saúde e da diversidade em Curitiba.

Câmara entrega a Toni Reis o título de Cidadão Honorário de Curitiba

Sessão solene em homenagem a Toni Reis foi transmitida ao vivo pelo YouTube. (Fotos: Rodrigo Fonseca/CMC)

A Câmara Municipal de Curitiba (CMC) realizou, na noite da última sexta-feira (13), a sessão solene de entrega do título de Cidadão Honorário de Curitiba a Toni Martins Müller Harrad Reis. A homenagem foi proposta por Laís Leão (PDT) e formalizada pelo Decreto Legislativo 21/2025, originado do projeto de decreto legislativo da parlamentar (115.00009.2025). 

Ao longo da cerimônia, vereadores e autoridades convidadas associaram a homenagem à atuação de Toni Reis nas áreas da educação, dos direitos humanos, da prevenção em saúde e da promoção da cidadania. Na saudação oficial da Câmara, Laís Leão afirmou que o gesto tinha caráter simbólico e coletivo. “Curitiba é uma cidade para todas as pessoas”, declarou a vereadora, ao defender a homenagem como reconhecimento à contribuição de Toni para a capital.

>> Confira a cobertura fotográfica da sessão solene

Compuseram a mesa oficial, durante a homenagem, além da propositora, Laís Leão, e do próprio Toni Reis, Marli Teixeira Leite (secretária municipal da Mulher e da Igualdade Racial), Márcia Huçulak (deputada estadual e ex-secretária da Saúde de Curitiba), Dr. Rosinha (ex-deputado federal), Nizan Pereira Almeida (ex-secretário de Saúde do Paraná) e Araci Asinelli da Luz (professora do Setor de Educação da UFPR). A sessão solene foi presidida pela vereadora Giorgia Prates - Mandata Preta (PT).

Fundador do Dignidade e doutor em Educação, destaca vereadora

No projeto que resultou na honraria, Laís Leão sustenta que Toni Reis se enquadra nos critérios da legislação municipal por sua trajetória acadêmica, profissional e pública. O texto destaca que ele vive em Curitiba desde 1984, onde consolidou atuação ligada à educação e aos direitos fundamentais, e registra que, em 1992, fundou na cidade o Grupo Dignidade, organização voltada à promoção de direitos, à prevenção de doenças e ao enfrentamento da discriminação.

A justificativa também ressalta sua formação em Letras e Pedagogia, além de especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorados na área da Educação. O texto legislativo ainda menciona distinções recebidas ao longo da carreira, como a Ordem Nacional do Mérito Educativo, o Prêmio Pablo Neruda de Direitos Humanos e o Prêmio de Direitos Humanos do Governo Federal.

Durante a sessão, Laís Leão relacionou a entrega do título à própria história de Curitiba. Segundo ela, a homenagem reconhece não apenas a biografia do agraciado, mas também o papel de pessoas e instituições que ajudam a construir uma cidade mais acolhedora. “Hoje, Toni, por meio da Câmara Municipal, Curitiba se orgulha de dizer que você é oficialmente um cidadão honorário e que este gesto, tão simbólico, reconhece tudo o que você tem feito por Curitiba e pelos curitibanos”, afirmou.

Na presidência da sessão solene, Giorgia Prates, dirigindo-se a Toni Reis, disse que “eu te agradeço porque eu sei que a gente também é fruto do Dignidade”. Em tom pessoal e político, ela associou a trajetória do homenageado ao espaço hoje ocupado por novas vozes na Câmara, ressaltou a capacidade dele de dialogar “com os diferentes” e enquadrou a homenagem como reconhecimento não só a uma biografia individual, mas também ao legado coletivo do Grupo Dignidade na ampliação de direitos, da representação e da diversidade no Legislativo.

"Capacidade de construir conexões", destacam convidados

Ao agradecer a homenagem, o novo cidadão honorário de Curitiba destacou o vínculo construído com a capital ao longo de mais de quatro décadas. “Boa noite, Curitiba, porque agora sou um cidadão de Curitiba de fato e de direito”, brincou Toni Reis, comemorando a distinção, logo no início do discurso. Mais adiante, reforçou o caráter afetivo da honraria ao dizer que foi na capital paranaense que escolheu “viver, amar e trabalhar”. Toni Reis é casado com David Harrad desde 1990 e constituiu uma família com três filhos.

Em seu pronunciamento, Toni Reis associou a composição da mesa de honra às frentes que marcaram sua trajetória pública. “A composição desta mesa de honra demonstra muito quem sou e as principais áreas em que atuo. Educação, saúde e direitos humanos”, declarou. Rememorando sua trajetória, ele apontou que esse percurso ganhou dimensão institucional em Curitiba com a fundação do Grupo Dignidade, em 1992. 

A organização passou a atuar na promoção dos direitos fundamentais, na prevenção de doenças e no enfrentamento de todas as formas de discriminação, em articulação com instituições públicas e privadas. Na sessão, Laís Leão observou que foi por meio da entidade que Toni “ampliou e profissionalizou a sua atuação na defesa dos direitos” e afirmou que o grupo “faz parte da história de Curitiba”

Parte relevante da cerimônia foi dedicada à reconstrução da atuação do homenageado em políticas públicas de saúde e de defesa de direitos. A ex-secretária de Saúde e deputada estadual Márcia Huçulak lembrou a capacidade de Toni Reis de construir pontes em contextos de divergência. “Toni é uma pessoa que tem a capacidade de construir conexões”, afirmou.

Ex-secretário da Saúde, Nizan Pereira recordou parcerias iniciadas ainda nas décadas de 1980 e 1990, em especial nas ações de prevenção ao HIV/Aids. Já o ex-deputado federal Dr. Rosinha definiu Toni Reis como um dos nomes mais merecedores da homenagem entre os que conheceu na vida pública curitibana, associando sua trajetória à luta por igualdade e respeito à diversidade. Araci Asinelli relatou a convivência dos dois no programa Protegendo a Vida, destacando nele três marcas: a habilidade nas relações humanas, a militância e a capacidade de cativar as pessoas.

Toni destacou o papel do Grupo Dignidade na construção de avanços nacionais do movimento LGBTI+, como o reconhecimento da união civil igualitária, a criminalização da LGBTfobia, o direito à retificação de nome e gênero e o fim da proibição de doação de sangue. “Nada disso foi obra de uma só pessoa. Essa conquista nasceu do trabalho coletivo de milhares de ativistas em todo o Brasil”, afirmou.

No trecho final do discurso, Toni Reis afirmou que recebe a distinção como reconhecimento à sua trajetória e como renovação de compromisso com a dignidade humana e a convivência democrática. “Recebo este título com alegria, com humildade e com compromisso renovado para continuar a lutar por dignidade e democracia, por um Brasil onde ninguém precise ter medo de existir”, declarou.

Postar um comentário

0 Comentários

Ad Code